?

Log in

No account? Create an account
Lab Girl
09 September 2010 @ 07:32 pm



 



Título: Escute Seu Coração

Autora: Lab Girl
Beta: MLSP
Categoria: Bones, B&B, 6ª temporada, songfic, angst, romance, cena perdida (missing scene), POV Brennan
Advertências: Um certo sofrimento emocional
Classificação: PG-13
Capítulo:1 (one shot)
Spoilers: Episódio 6x03 (The Maggots in the Meathead)

Sumário: Brennan recusou dar uma chance a Booth. Agora, que ele finalmente seguiu em frente, ela se pergunta se terá mesmo feito a escolha certa.

Notas da Autora:

* Fic semi-finalista do desafio do mês de novembro/2010 no fórum Need For Fic, sob o tema "songfic".

* Música/inspiração: A música utilizada como inspiração desta história é a famosa "Listen To Your Heart", originalmente do grupo Roxette. No entanto, para esta fic preferi a versão em piano na voz de Kelly Clarkson. Para quem quiser escutar a canção ao começar a leitura, dica: digite no youtube Listen To Your Heart Kelly Clarkson ;)

* Esta história será recheada de angústia. É, eu sei, isso é terrível para quem lê. Mas para quem já conhece as minhas fics e o meu trabalho como escritora, peço que confiem em mim e deem uma chance a história, mesmo que por vezes a coisa toda possa parecer triste demais. Então, respirem fundo e... vamos lá!

~.~.~.~.~

~.~.~.~.~


Eu devia ter feito o que fiz?

Valeu a pena?

São as perguntas que me perseguem agora. Em momentos como este... em que me encontro sozinha. Invariavelmente sozinha.

Coloco a chave cuidadosamente sobre a mesa da sala, entrando para a escuridão do meu apartamento. É o silêncio que me envolve, e eu o deixo. Deixo que ele me abrace, que me tome enquanto meu corpo cansado se encolhe no velho sofá.

Não é como se nunca tivesse estado aqui. No silêncio. Na solidão.

Mas é a primeira vez em que isso parece me perturbar. Na verdade, me aterrorizar.

Quando foi que comecei a ter medo de ficar sozinha? Quando comecei a ter medo de me sentir tão... sem ninguém...?

As minhas mãos vazias me abraçam, e é com elas que eu me aqueço. Os sons da noite, que vêm da rua, chegam aos meus ouvidos de forma abafada. Estão distantes... e eu estou aqui, sozinha neste apartamento.

Penso em como a noite de Booth deve estar aquecida. Ao lado da namorada.

Agora ele não vai mais ter que passar as noites sozinho. E isso me deixa feliz por ele. De verdade. Era tudo o que ele sempre me disse que queria. Uma relação estável, uma companheira. Dividir a vida com alguém de forma profunda.

Mas o leve sorriso que toca meus lábios ao me lembrar dele e ao me sentir contente por saber que o meu melhor amigo finalmente alcançou o que tanto queria, de repente se esvai quando penso na nova mulher na vida dele.

I know there's something
in the wake of your smile
I get a notion
from the look in your eyes

Eu sei que há algo no despertar
do seu sorriso
Eu percebo pelo seu olhar

Hannah. Ela é legal. Simpática. Boa gente. Ganhou minha simpatia e meu respeito desde o começo. Mas quando imagens dela junto de Booth começam a invadir minha mente, o pequeno sorriso simplesmente some... se esvanece... deixando meus lábios com uma sensação de dor. E frio.

O ar fica preso em meus pulmões por um pequeno instante. O suficiente para que eu me sinta estranhamente sufocada. Respiro fundo, expiro devagar, tentando contornar a sensação sem sentido.

Mas quando imagens voltam a invadir minha mente, desta vez não lembranças, mas cenas inéditas, eu começo a sentir o ar faltar outra vez.

E por trás dos meus olhos, é como se eu visse perfeitamente Booth sorrindo... daquele jeito tão bonito e tão especial, que eu tanto aprecio. Mas não para mim. Ele sorri para Hannah. E as mãos dele, grandes e fortes, mas sempre tão habilidosas e cuidadosas, dependendo do que o momento exige delas, envolvem o rosto de Hannah. E ele a beija. Os dois se beijam.

É como se eu assistisse a uma cena para a qual não fui convidada. Me sinto uma intrusa, quase como há meia hora atrás, na casa dele. A diferença é que agora não é real. Embora pareça ser... dolorosamente real.

You've built a love
but that love falls apart
Your little piece of heaven
turns too dark

Você construiu um amor,
mas esse amor desmorona

Seu pedacinho de paraíso
fica escuro demais...

E as imagens não param. Eu vejo um Booth feliz envolver uma Hannah igualmente feliz pela cintura, abraçá-la. Beijá-la outra vez. Vejo os dois sorrirem um para o outro, se envolverem nos braços um do outro.

E é demais para mim. Chega!

Basta!

Eu levo as mãos ao rosto, secando lágrimas que nem havia percebido ter começado a derramar.

Solto o ar com vontade, para provar a mim mesma que ainda consigo respirar, que não passam de imagens produzidas pela minha mente, que é tudo imaginação. Mas isso, por mais racional que seja, não faz o menor sentido para mim agora.

Não agora.

Deixo o meu corpo se inclinar para a frente, e apoiando os braços nas minhas próprias pernas, me sinto encolher quase involuntariamente.

E a sensação de aperto toma conta de mim. Pressionando, estrangulando meu coração.

Tristeza.

Que me toma de assalto.

Listen to your heart
When he´s calling for you

Escute seu coração
quando ele chamar por você

E eu já não consigo mais resistir... choro. Deixo o pranto sair, como se fosse arrancado de dentro do meu peito.

Eu choro de tristeza. De solidão.

Choro por mim, que sempre fui tão auto-suficiente, e hoje me dou conta de que desaprendi a viver sozinha depois de Booth.

Depois dele toda a minha vida tomou um rumo diferente. E seis anos depois me encontro questionando todas as minhas decisões, tomadas tão meticulosamente à luz da minha racionalidade, da qual sempre me orgulhei tanto.

Listen to your heart
There´s nothing else you can do

Escute seu coração
Não há mais nada que possa fazer

Para quê tanta razão, se ao final tudo parece desmoronar pelo abalo que uma simples onda emocional provoca em mim, me arrastando em lágrimas? Não era isso o que eu queria. Não era para ser assim.

Não era para eu estar me sentindo incomodada pela solidão, pelo silêncio. Não era para estar me sentindo abandonada sem a companhia de Booth todas as noites, como já havia me acostumado a ter. Passei sete meses longe dele, em outro país. Mas nem mesmo nesses meses me doeu tanto a sua ausência. É como se agora, que estamos na mesma terra de novo, no mesmo espaço, ele estivesse mais distante do que quando estava no Afeganistão.

I don't know where you're going
and I don't know why
But listen to your heart
before you tell him goodbye

Eu não sei para onde você está indo
e eu não sei o porquê
mas escute seu coração
antes de dizer-lhe adeus...

É como se ele estivesse fora do meu alcance. E percebo que é justamente assim que eu sinto. Booth está inalcançável para mim. E sei que é irracional. Só que já nada é como antes.

Eu devia ter imaginado que nosso afastamento, tantos meses distantes um do outro, acabaria mudando alguma coisa para nós. Era tolice imaginar que, ao retornarmos, retomaríamos tudo do ponto exato em que havíamos parado.

Mas fui tola, porque foi justamente assim que eu pensei.

Até ver Booth me mostrar aquela foto no celular. A foto de Hannah.

Ali eu percebi que tudo tinha mudado. Ali eu senti como se o meu mundo tivesse parado de girar por um segundo, e quando retomou o curso, foi de ponta cabeça.

Eu não podia imaginar que ele fosse conhecer alguém em outro continente. Não esperava por isso, sinceramente.

Agora eu vejo que estava tão acostumada a Booth, ao Booth amigo que sempre estava do meu lado, que sempre me fazia companhia e que estava tão ao meu alcance, que acabei tomando tudo isso por certo. Nunca imaginei como seria se um dia ele fosse embora. Ou se arrumasse alguém.

Um outro alguém.

Sometimes you wonder
if this fight is worthwhile
The precious moments
are all lost in the tide
They're swept away
and nothing is what it seems
The feeling of belonging
to your dreams

Às vezes você se pergunta
se essa luta vale a pena
Os momentos preciosos,
estão todos perdidos na maré
Eles se foram, e nada
é como parece,
a sensação de pertencer
aos seus sonhos

O choro vai diminuindo, e eu uso a manga da camisa para secar o rosto. Recostando no sofá, um suspiro longo escapa da minha garganta, e o som atinge meus ouvidos.

Acho que tive tanto medo de imaginar como seria minha vida sem Booth que nunca me deixei pensar nisso. Simplesmente vivi esses últimos anos certa de que ele sempre estaria aqui para mim.

Mas agora...

Agora eu sei que nada vai ser como era antes entre nós dois.

A nossa parceria no trabalho talvez continue intacta, mas fora isso... não posso dizer que seremos como antes. Booth agora tem uma companheira para quem ir no final do dia. Ele agora tem alguém a quem se dedicar além de Parker.

Sou eu que não tem ninguém.

E sinto falta dele. Do tempo em que a atenção de Booth era mais minha do que de qualquer outra pessoa.

Estou feliz por ele, sim. E mesmo que o seu novo relacionamento rompa em parte a nossa relação, eu sempre vou estar feliz por Booth, se ele estiver feliz. Se ele estiver bem. E eu vejo que ele está. O que me diz que não importa se doer em mim, desde que ele seja feliz.

É tudo o que Booth merece. Ser feliz.

Ele, mais do que qualquer pessoa.

Ele que sempre foi honesto, um guerreiro no verdadeiro sentido da palavra. Um homem honrado. O mais fiel dos amigos.

E se ele está bem, eu vou ficar também. Mesmo que demore, mesmo que junto da minha alegria por ele tenha essa mistura incoerente de tristeza e um pouco de dor... eu vou estar bem, simplesmente porque ele vai estar.

É tudo o que me importa.

E por isso um pequeno sorriso volta a aquecer meus lábios. Mesmo aqui, no escuro, eu consigo ver o sorriso dele. Pode ser que daqui para a frente não seja dirigido só a mim, mas toda vez que eu o vir sorrir dessa maneira que aquece meu coração, meus olhos vão admirar e ser suas testemunhas. Mesmo quando os braços dele não envolverem o meu corpo, mas o de outra mulher, eu vou sentir gratidão por ele ter regressado são e salvo para casa. E quando os olhos dele brilharem daquela maneira especial, sempre que ele está feliz, eu poderei ter certeza de que valeu a pena deixá-lo livre para encontrar alguém que o faça sentir assim.

Agora o ar já não pesa dentro de mim. Deixo que escape uma, duas, três vezes seguidas dos meus pulmões, e torno a inspirar, me enchendo da certeza de que eu ficarei bem, afinal.

Quando debruço a cabeça sobre o encosto do sofá, o som da campainha faz meu corpo saltar com o barulho inesperado. Eu me ergo, e por uma razão desconhecida sinto meu coração saltar – não pelo susto, mas como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer.

Com a respiração um tanto pesada, dificultada por esse abalo no meu peito, caminho até a porta. A campainha soa novamente no caminho. Eu toco a maçaneta. E meu coração acelerado parece produzir um reflexo em meu estômago, numa sensação estranha de antecipação.

Eu abro a porta. E encontro o rosto dele... masculino e bonito, completamente voltado para mim.

Sinto a respiração falhar outra vez.

"Booth?"

Os olhos dele caem sobre mim, com uma sombra de seriedade que me traz uma sensação de ter o coração preso na garganta. Por sorte a parca luz que vem do corredor externo não permite que ele perceba que eu estive chorando a apenas minutos atrás.

Abro espaço para ele entrar, e meu o olhar o acompanha passar por mim, parando alguns metros a minha frente.

"Booth, o que houve?"

Eu não posso deixar de perguntar. Nem de desconfiar. Algo está fora do lugar. Não era para ele estar aqui. Era para estar em casa, com Hannah. Não era para estar sério do jeito que está, mas sorrindo e se divertindo na sua primeira noite sob o mesmo teto que a namorada.

Para ele estar aqui, é porque alguma coisa está errada...

O coração dá um salto dentro de mim, e meus pés só conseguem se aproximar mais dele.

"Sou eu quem pergunto... o que houve, Bones? Por que está no escuro?"

A observação dele é que me faz notar a falta de luzes aqui dentro. Mas eu não me preocupo em acendê-las. Sigo olhando para ele sob o luar que entra pelas janelas.

"Booth, eu perguntei primeiro. O que aconteceu com você?"

"Nada."

Os ombros dele balançam levemente, indicando cansaço. Mas eu o conheço mais do que isso, sei que tem alguma coisa que ele está tentando esconder.

"Você está bem, Bones?"

Ele torna a me perguntar.

E eu poderia responder de diferentes formas a essa pergunta dele. Mas prefiro evitar complicar as coisas.

"Estou bem, Booth."

"Então, por que está no escuro? Ainda não me disse."

Ele é insistente. E eu não consigo mentir para ele.

É por isso que abaixo o olhar enquanto me afasto, suspirando.

"Não tive vontade de acender nada. Pareceu certo. Ficar no silêncio. No escuro."

As palavras saem de mim em voz baixa. De costas para ele, encarando o sofá, não consigo dizer como ele recebeu minha resposta. E prefiro continuar sem encará-lo, ainda.

"Por que foi embora, Bones?"

Ele está mesmo me perguntando isso?

"Porque você tem uma companheira agora, Booth. Com quem dividir suas noites. Sua vida. E agora sua casa" eu respondo, dolorida. "Hoje é o primeiro dia de vocês dois juntos no seu apartamento. Morando juntos. Era um momento só de vocês, eu seria inconveniente se ficasse."

"Você nunca vai ser inconveniente comigo, Bones. Somos amigos. Sempre vai ter espaço para você na minha casa e na minha vida."

Eu sorrio. Um sorriso que ele obviamente não pode ver, pois estou de costas para ele. Mas um sorriso que não posso evitar ao ouvir essas palavras. Se ele soubesse o quanto elas me aquecem...

"É bom saber disso."

"É verdade" ele sentencia, num murmúrio.

"Eu sei" o sussurro me escapa. "Mas agora você precisa de mais espaço. E eu entendo."

Então eu me viro para ele, meus olhos buscando os dele com desespero.

"Só me diga que nunca vai deixar de me chamar de Bones..."

É o meu pedido. O único pedido que eu posso e me atrevo a fazer.

"Mas é claro que não..." ele sussurra, um sorriso se unindo aos olhos que só agora percebo marejados. "Você sempre vai ser a minha Bones. É quem você é pra mim. Bones..."

E o sorriso dele se expande, tomando todo o rosto de uma maneira tão bonita... tão Booth... que não é preciso luz nenhuma nesse momento em que a lua banha os traços inconfundíveis para mim, tão familiares e tão perfeitos. E o sorriso atinge os olhos escuros, fazendo-os brilhar como dois faróis, iluminando meu caminho.

Listen to your heart
when he's calling for you
Listen to your heart
there's nothing else you can do

Escute seu coração
quando ele chamar por você
Escute seu coração,
não há mais nada que possa fazer

Eu sorrio também. Há tanta coisa que, hoje sei, daria tudo para compartilhar com esse homem... E este simples e único momento, em que dividimos nossos sorrisos, me dá certeza de quanto somos importantes um para o outro.

Mas eu quebro o momento, deixando de sorrir para me aproximar dele. Tão perto que posso ouvir sua respiração se conter por um instante, enquanto os olhos percorrem meu rosto de forma atenta.

"Booth, por que está aqui?"

"Porque eu precisava ver se estava tudo bem com você."

A resposta dele me faz rir, nem eu sei porquê. Mas me deixo rir, o som reverberando em meu corpo, aliviando a sensação agridoce do momento.

I don't know where you're going
and I don't know why
But listen to your heart
before you tell him goodbye

Eu não sei para onde você está indo
e eu não sei o porquê
mas escute seu coração
antes de dizer-lhe adeus...

"Só me diga se está bem mesmo, Bones."

Os olhos castanhos, agora negros no escuro em que nos encontramos, brilham de uma maneira intensa. Ele parece angustiado, e meu coração não pode deixar de atender o pedido dele.

"Por que está tão preocupado comigo, Booth?"

"Você foi embora de repente. E eu nem agradeci a você o presente."

"Você agradeceu a Hannah. Foi ela quem comprou o telefone."

Minha intenção não era dizer isso com nenhuma espécie de mágoa na voz. Mas, para minha surpresa, quando eu digo, as palavras soam doloridas aos meus próprios ouvidos. Tento sorrir para disfarçar.

Mas Booth é esperto, e perito em ler pessoas. Acho que ele percebe.

"Foi por sua causa. Ela me disse quando você foi embora... se não fosse por você, Hannah não teria acertado tão em cheio."

"Eu só dei uma dica."

Tentar ser modesta pela primeira vez com Booth, acho que não o convence.

"Você não deveria estar na sua casa? Com a Hannah?" pergunto, mirando algum ponto perdido no espaço da minha sala, para em seguida erguer os olhos e encará-lo.

"Bom, nós discutimos e..." Booth suspira. "Ela me disse que se eu me importava tanto com você, devia vir atrás de você."

Sinto meus olhos arderem diante da informação – isso não me passa despercebido.

"Vocês discutiram?" eu pergunto, repetindo a informação que ele acaba de me dar.

"Eu acho que a Hannah está certa..." ele murmura.

"Sobre o quê?" minha voz hesita um pouco, mas não consigo deixar de fazer a pergunta.

"Sobre nós..." ele sussurra.

Mas o silêncio que reina na sala me faz ouvir com perfeição cada palavra. E elas fazem registro em minha mente, acelerando meu coração.

Nossos olhos se encontram de novo.

E eu não sei como não pude perceber antes. Essa conexão... essa coisa que temos... que é tão preciosa e tão cara pra mim, continua aqui... viva. Tão viva e tão forte que sinto meu corpo tremer.

And there are voices
that want to be heard

E há vozes
que querem ser ouvidas

"Ela sentiu, Bones" ele diz.

E eu sigo calada, disposta a escutar o que quer que ele tenha a me contar.

So much to mention
but you can't find the words

Tanto a dizer,
mas você não encontra as palavras

"Logo que você saiu, Hannah percebeu que eu não queria que você fosse... e foi quando ela começou a me fazer perguntas e... bem..."

Booth deixa escapar um suspiro, e eu percebo um escapar de mim também, um que nem mesmo me dei conta de estar segurando.

Ele umedece os lábios antes de continuar.

But you can´t find the words...
the scent of magic, the beauty that's been
When love was wilder than the wind

Mas você não encontra as palavras...
A essência da magia,
a beleza que havia
quando o amor era mais selvagem que o vento

"Ela sabia que eu estava apaixonado por outra mulher antes de conhecê-la no Afeganistão. Eu fui sincero com ela sobre isso, desde o começo."

Meus olhos se estreitam, daquele modo que, eu sei, tanto o irritava no começo da nossa relação e que o fez apelidar a mim e aos meus colegas de laboratório de 'squints'.

"Você é feliz, Booth?" eu deixo a pergunta me escapar, sentindo os olhos marejados.

Listen to your heart
when he's calling for you

Escute seu coração
quando ele chamar por você

Ele fica surpreso. Vejo nos olhos que se abrem ligeiramente, nas sobrancelhas que dão um salto quase imperceptível. Detalhes que me passariam despercebidos se fosse qualquer outra pessoa. Mas não Booth. Cada pequeno gesto dele captura a minha atenção, prende meu olhar e me deixa ansiosa por decifrá-lo.

"Por que a pergunta, Bones?"

"Eu preciso saber. Apenas me diz... se você é feliz" sussurro, a voz já me escapando.

Ele engole em seco, o pomo de Adão se movendo de forma rápida antes que ele abra os lábios para me responder.

"Eu tenho um filho que amo... um trabalho que me realiza. Meu avô, até meu irmão!" ele dá uma pequena risada. "Então, sim... eu sou feliz, Bones."

"E a Hannah?" eu pergunto, sem conseguir evitar.

Ele me olha, intrigado. "O que tem a Hannah?"

"Ela não faz parte da sua felicidade?"

Silêncio paira entre nós dois.

Listen to your heart
there´s nothing else you can do

Escute seu coração
Não há mais nada que possa fazer

"Ela foi uma tentativa de felicidade" Booth murmura, por fim.

"Como... como assim?"

Minha voz se prende na garganta em seguida, mas eu não consigo deixar de inquirir.

"Eu disse a você" ele me olha intensamente. "Eu quero alguém que me ame, que esteja comigo nos próximos 30, 40, 50 anos..."

Eu meneio a cabeça ante a resposta dele. Sei disso. Nunca me esqueci daquelas exatas palavras dele. E sei que foi por isso que ele me disse ter que seguir em frente. E eu o compreendi na ocasião. Como ainda compreendo. Agora mais do que nunca.

Por que antes foi tão difícil enxergar? Eu e Booth tínhamos uma parceria completa, um relacionamento que supria todas as minhas necessidades. Ou melhor, quase todas. E as que não chegou a suprir, apenas ficaram em branco por minha indecisão. E meu medo.

O medo de amar e ser amada. O medo de sofrer e fazer sofrer.

Você ama alguém e se abre ao sofrimento. Talvez partam seu coração, talvez você parta o deles... e nunca sejam capazes de olhar para si mesmos da mesma forma. Esses são os riscos.

"Então, pela sua resposta..." tento prosseguir, mesmo que minha voz soe tão engasgada "...a Hannah não é a mulher com quem vai passar seus próximos 30, 40, 50 anos...?"

Booth finalmente vence os passos que nos separam. Eu o vejo caminhar lenta e diretamente em minha direção. E meu coração responde a sua aproximação, num ritmo que ecoa em meus ouvidos.

I don't know where you're going
and I don't know why
But listen to your heart
before you tell him goodbye

Eu não sei para onde você está indo
e eu não sei o porquê
mas escute seu coração
antes de dizer-lhe adeus

"Eu acho que não" ele sussurra, parando a poucos centímetros diante de mim.

Nossos olhos agora estão presos uns nos outros, nenhum de nós capaz de se afastar. Eu inspiro fundo, e ouço ele fazer o mesmo, o som da respiração dele arrepiando minha pele... e quando o vejo abrir os lábios para tornar a falar, estremeço levemente.

Penso que ele percebe, mas não me importo. Não quero me esconder de Booth.

O pensamento de perder o controle sobre a própria felicidade... esse é o fardo que, como asas, tem seu peso. Peso que sentimos em nossas costas, mas que nos levanta. Fardo que nos permite voar...

I don't know where you're going
and I don't know why
But listen to your heart
before you tell him goodbye

Eu não sei para onde você está indo
e eu não sei o porquê
mas escute seu coração
antes de dizer-lhe adeus

A mão dele pousa sobre meu rosto, e eu fecho os olhos no mesmo instante. Esse contato é tão bem vindo... tão certo. É como voltar para casa – realmente voltar para casa desta vez. Não é como o nosso reencontro no parque, quando ele me recebeu com carinho, mas uma leve distância se opôs sobre nós, e eu soube que ele havia encontrado alguém.

Não...

Agora é como a verdadeira volta para casa.

E torno a abrir meus olhos para ver que ele me fita do modo mais intenso que já fez. Eu sinto a garganta constrita. Quando sinto os dedos dele deslizarem cuidadosamente sobre minha face, só então percebo a umidade. Começo a franzir as sobrancelhas, confusa... para me dar conta de que são lágrimas que ele seca suavemente.

Lágrimas que eu nem me dei conta de terem escapado dos meus olhos.

Mas não me importa.

Agora pouco importa.

São lágrimas de felicidade. Uma felicidade que se torna ainda mais plena quando sorrio para ele, e o vejo corresponder. E quando ele se inclina para mim, sinto minha mente, meu mundo girar... cerrando os olhos lentamente, e me entregando ao beijo que ele deposita sobre meus lábios.

Da boca macia e quente de Seeley Booth aceito a paixão... e me rendo aos braços dele, atirando-me, dessa vez sem medo. Esperando, ansiosa, pelos próximos 30, 40, 50 anos...


Meus agradecimentos especiais à Marina pela betagem e à Bia pela foto do banner!
E a você, que leu esta fic até o fim :)

Comentários? São muito bem vindos e estimulantes - em porutguês, inglês ou espanhol ;)  bones.obsessive@gmail.com


_________________________________________________________________________



* História sob proteção de registro no creativecommons.org *
creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/



 
 
Current Location: Brazil
Current Music: Listen To Your Heart - Kelly Clarkson
 
 
Lab Girl
15 August 2010 @ 03:31 pm


Essência De Uma Saudade



Título: Essência de uma Saudade

Autora: Lab Girl
Categoria:
Bones, B&B, cena perdida (missing scene), POV Brennan
Advertências:
Nenhuma
Classificação: PG
Capítulos: 1 (one shot)
Status:
Completa

Sumário: Durante muito tempo não soube o que era sentir saudade. Até partir. Até me despedir dele naquele aeroporto.

Nota da Autora: Esta fic se passa no período entre o final da 5ª e princípio da 6ª temporada, enquanto Brennan está na Indonésia, e Booth no Afeganistão. Desde que assisti ao episódio de encerramento da quinta temporada, me passava pela cabeça como eles estarão lidando com esse um ano de separação - especialmente Brennan, que tem tanto medo de se envolver com as pessoas e camufla os próprios sentimentos, mas inegavelmente sente algo forte por Booth. O resultado é esta fanfic simples, que saiu como forma de tirar do meu sistema minhas impressões e emoções sobre essa fase da série. E aqui está! Narrada em primeira pessoa, ponto de vista de Temperance Brennan.

* Esta fic participou do desafio do mês de agosto de 2010 no fórum Need For Fic, sob o tema saudade *


Saudade...

A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina, a um canto do coração.


~ Essência de uma Saudade ~

Durante muito tempo, não soube o que era sentir saudade. Achava que esse era mais um sentimento tolo de apego. Apego a coisas e pessoas, a momentos e ocasiões que não podiam ser retidas nem modificadas.

Antes era estranho ouvir as pessoas falarem em saudade.

Que sentimento era esse?

Eu não sabia.

Sequer tinha algo por que sentir saudade. Não realmente.

Até partir. Até me despedir dele naquele aeroporto.

Quando decidi aceitar a proposta de chefiar uma equipe de estudos antropológicos nas Ilhas Maluku, na Indonésia, por um ano, eu ainda não tinha noção do que era saudade.

Sempre pensei que isso significasse sentir falta de alguém. Simples assim.

Sim, eu sabia que sentiria falta de Booth. Do meu amigo. Do meu parceiro. Seeley Booth.

Estivemos constantemente juntos por cinco anos. Cinco ininterruptos anos.

Anos em que aprendi mais do que nos outros vinte e oito de minha vida.

Ele me ensinou tantas coisas... e eu creio que também ensinei outras tantas a ele.

Eu lhe ensinei o valor do contato visual, e você me ensinou sobre evolução...

Nunca acreditei que sentiria tanta falta dele. Mas dizem que a ausência torna a afeição maior. E aqui estou, no outro lado do mundo, sentindo meu carinho, minha admiração e meu respeito por ele ainda maiores, se isso é possível.

Booth está num campo de batalha, num lugar onde está fazendo o que sempre fez, desde que o conheci... lutando para fazer do mundo um lugar melhor.

E eu o amo por isso.

Sim. Eu o amo.

Eu, Temperance Brennan, amo Seeley Booth.

Simples assim.

O sentimento que eu mais temia, as palavras que mais me apavoravam... agora estão aqui, diante de mim. E nunca me senti mais consciente disso como agora.

Amo Booth.

Não apenas como uma parceira. Não apenas como amiga.

Eu o amo por ser quem é... como é. Pelas coisas que me ensinou em nossos cinco anos de parceria.

Eu o amo por ter me ensinado o valor da amizade, a criar laços de confiança, e que o coração, apesar de ser um músculo, é uma das mais belas metáforas de que já ouvi falar.

Eu o amo por sua coragem, por sua paixão e por sua compaixão.

Eu o amo como alguém que faz parte da minha vida e que a torna incrivelmente melhor.

Eu o amo por me amar e cuidar de mim, quando todos que conheci ao longo do caminho partiram, me deixando só.

Eu o amo por me aceitar como eu sou... por me entender como ninguém.

Eu o amo por tudo isso, e mais além.

E se sentir alguém ao seu lado, mesmo quando esse alguém está há quilômetros no Afeganistão enquanto você está na Indonésia, se isso for amor... então, eu estou pronta para aceitar o fato de que amo Seeley Booth.

E de que sinto sua falta. E contraditoriamente sua presença.

É isso o que sempre me fez não querer compreender o amor. Pois como pode existir um sentimento tão bonito e tão contraditório em si mesmo? Tão incontrolável e devastador?

Logo eu, que detesto não estar no controle das coisas! Mas eu não pude controlar quando pouco a pouco Booth foi abrindo espaço e tomando conta das minhas emoções.

Sei que a saudade não é racional. Mas nem tudo é produto da razão. A falta que sinto de Booth é produto de algo mais forte e menos palpável do que a lógica. Algo imensurável. Simplesmente existe, e eu sinto.

Sinto saudade da voz dele. Do rosto perfeitamente simétrico e dos olhos honestos. Sinto saudade da forma como ele fala comigo, do modo como o som da risada dele produz uma trilha de arrepios bem vindos no meu corpo. Da forma como ele me faz sentir em casa, mesmo que eu esteja em qualquer lugar, desde que esteja ao lado dele.

Sinto uma de minhas mãos correr para o meu rosto a tempo de segurar uma lágrima inesperada. Respiro fundo, tentando afastar a sensação de constrição na minha garganta.

Deve ser a poeira. A escavação continua bem ao lado da barraca na frente de onde estou parada, num ritmo frenético, e a poeira ainda pode ser vista no ar.

Mas eu sinto um suspiro escapar dos meus lábios, sem que tenha qualquer controle sobre isso. E meneio cabeça. Sei que estou me enganando. Não é a poeira o que me faz sentir assim.

É a falta dele.

Ou melhor...

...é a presença dele.

A presença constante de Booth, embora eu saiba que ele está há milhares de quilômetros de distância.

E eu ainda vejo o sorriso dele diante de mim, os olhos castanhos tão gentis que sempre me reconfortaram com um simples olhar.

Ele está aqui. Comigo.

Sinto minha mão ir automaticamente ao meu peito, fechando-se sobre a medalha que ele me deu em nossa despedida. São Cristóvão, o protetor dos viajantes. Embora essa não seja a minha crença, mas a dele, o mero símbolo é algo que me faz lembrá-lo. E saber que onde quer que ele esteja, bem agora, carrega uma medalha exatamente igual a que meus dedos envolvem, me faz sentir o peito aquecido.

E, pela primeira vez, me dou conta de que não importam as distâncias geográficas, nem o que a minha razão possa me dizer para justificar o que estou sentindo nesse momento. Porque bem agora, Booth está bem perto de mim.

Um leve sorriso brinca travessamente em meus lábios, enquanto sinto a contradição de lágrimas arderem em meus olhos.

Uma brisa suave acaricia uma das mechas que caem sobre os meus ombros. E eu sinto a mão dele... os dedos gentis, roçando meu cabelo.

Sei que é bobo... estúpido até! Mas enche meu coração de calor e meus sentidos de paz. E paz é tudo o que eu preciso agora, enquanto conto os dias que faltam para que eu possa vê-lo de novo. E estar com ele outra vez.

~.~

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.

- Carlos Drummond de Andrade


* A citação inicial é de autoria de Henrique Maximiliano Coelho Neto, que foi um romancista e contista brasileiro.

Esta fanfiction é dedicada a uma querida amiga virtual... Nina... obrigada por todo o incentivo... de coração! )

Comentários serão muito bem recebidas! bones.obsessive@gmail.com
Obrigada por ler =]

_________________________________________________________________________




* História sob proteção de registro no creativecommons.org *
creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/
 
 
Current Location: Brazil
Current Music: Miss You - Everything But The Girl
 
 
Lab Girl
15 August 2010 @ 02:02 pm

        http://www.youtube.com/watch?v=hDC7F8C4pGw&feature=fvsr
por lorbaby83


   ♥♥ Definitivamente um dos melhores vídeos B&B ♥♥



                                                                                                   



Humor: cansada

Tags:
 
 
Current Location: Brazil
 
 
Lab Girl
25 July 2010 @ 01:17 pm
( You are about to view content that may only be appropriate for adults. )
 
 
Current Location: Brazil
Current Music: Have a Little Faith in Me - Mandy Moore
 
 
Lab Girl
20 June 2010 @ 09:50 pm
Bones... BoothBrennan

Com a luz do sol sobre a minha cabeça
Para onde eu vou? O que eu sei?
Com a luz do luar roçando em meu pescoço
sussurrando, 'vamos, vamos, meu bem'

Era um dia solitário, até que você chegou
E o sol se iluminou através dos seus olhos
Agora todos ficam me perguntando
Por que eu estou tão feliz, e eu direi..
Que eu amo você e todas as coisas que você me faz
Eu estou repentinamente encontrando minha própria sanidade
E eu devo tudo isso a você...

Flash back, então eu começo a recapitular
Para onde fui? Por que eu não sei?
É ruim demais olhar para os dias em que eu pensava ter tudo
Agora, só irei a lugares aonde não possa me lembrar de rostos

E direi que eu amo você e todas as coisas que você me faz
Estou repentinamente vivendo minha própria fantasia
E
eu devo tudo isso a você


FOX official promo video for Bones ~ no infrigment is intended.


Humor: animada
 
Tags:
 
 
Current Location: Brazil
Current Music: Owe It All To You - Five Times August
 
 
 
Lab Girl
12 June 2010 @ 11:35 pm



 

Título: Sob As Estrelas
Autora:
Lab Girl
Categoria:
Bones, B&B, 5ª temporada, romance
Classificação:
PG-13
Capítulos: 1 (One Shot)
Status:
Completa

Sumário: Booth e Brennan sob um céu estrelado... e um final alternativo para o episódio 5x11 (The X In The File)

Nota da autora: Esta fic é resultado de pura falta do que fazer... depois de rever esse episódio, estas linhas acabaram saindo. Nada de que eu me orgulhe muito, mas decidi publicar assim mesmo. Não esperem grandes emoções, como eu disse esta história é resultado de um dia sem muita inspiração e sem nada o que fazer. De qualquer modo, aqui está. Quem quiser uma trilha sonora para ajudar a descer, procure no youtube por Corinne Bailey Rae - Like A Star

~

Como uma estrela em meu céu

Como um anjo saído de um livro
Você apareceu em minha vida
E sinto que nunca mais vou ser igual

~


"Você ouviu isto?" sua voz ressoou no ar frio da noite.

Ele ficou sério, arqueando as sobrancelhas em sinal de surpresa.

"O que..." ele começou a dizer, mas foi interrompido por ela, que levou um dedo aos lábios.

Brennan viu o parceiro apertar os olhos, tentando se concentrar na tentativa de ouvir alguma coisa fora do comum.

No entanto, apenas os sons normais de uma noite no deserto ressoaram no ar. Pequenos animais noturnos, uma leve e rápida brisa que lambeu seu rosto.

"Bones, eu não ouço nada além..."

A risada de Temperance escapou-lhe sem que pudesse evitar. Havia conseguido pegar o parceiro, afinal!

Ele a fitou, o ar totalmente sério, concluindo que ela o havia apavorado somente por diversão. E Brennan não podia negar que tirá-lo do prumo pela primeira vez era uma bela diversão.

Levou as mãos à barriga, tomando fôlego. "Desculpe, Booth. Mas você tinha que ter visto a cara que..."

As palavras morreram em sua garganta quando virou o rosto e seus olhos encontraram os dele a apenas centímetros de distância.

Ela não disse nada. Ele tampouco.

Agora os únicos sons perfeitamente audíveis para ela eram os de suas respirações. Podia ouvi-lo inspirar e expirar repetidamente, de forma pesada. Estavam tão próximos que podia sentir até mesmo o calor que emanava dele. E repentinamente sentiu uma onda de frio apoderar-se de sua pele, impulsionando-a a fechar um pouco mais a breve distância entre seus corpos.

Temperance ouviu a própria pulsação acelerada reverberar em seus ouvidos. Um fluxo de sangue subiu por seu pescoço, atingindo seu rosto.

"Booth..." o que era para ser o início de uma frase, saiu em forma de sussurro.

Ela viu os olhos dele adquirirem subitamente uma espécie de brilho. Um que nunca havia visto neles.

E antes que pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, sentiu o corpo dele se aproximar... fechando os poucos centímetros que separavam seus rostos.

Os lábios dele pousaram sobre os seus, numa carícia morna, mas que gerou uma espécie de onda de calor, aquecendo seu corpo resfriado pela noite do deserto.

O momento foi breve, e quando ela o sentiu começar a se afastar, suas mãos alcançaram-lhe o pescoço, não permitindo que o contato de seus lábios fosse rompido.

Deslizando os dedos por entre os cabelos macios dele, Temperance inspirou, e o perfume masculino e almiscarado encheu suas narinas. Uma leve tontura a tomou quando a língua macia de Booth adentrou o espaço de sua boca, abrindo-a para uma exploração mais detalhada.

Ela já o havia beijado antes. Em pelo menos duas ocasiões. Mas sempre que acontecia, era como se fosse algo totalmente novo. Ela sabia que era uma sensação irracional, mas não conseguia impedir-se de sentir assim.

Seeley Booth era tão dedicado em beijá-la quanto era em seu trabalho. As habilidades de concentração e determinação de franco-atirador presentes de forma induvidosa em cada centímetro que os lábios dele cobriam e a língua macia acariciava com ardor.

Os sentidos de Temperance se aguçaram quando as mãos dele tocaram a curva de sua cintura. Ouvia o som de suas respirações trabalhadas ressoando no ar da noite... sentia o cheiro da loção pós-barba misturado ao perfume natural que emanava da pele quente e masculina... e o gosto dele era uma deliciosa mistura de menta, cafeína e do pêssego que ele havia devorado em forma de torta meia hora antes.

Tão suavemente como havia começado, o beijo foi se tornando mais lento, e logo suas respirações foram recuperando o ritmo normal. Quando seus lábios se afastaram, Temperance sentiu frio.

Seus olhos se abriram para encontrar os dele, mas o olhar de Booth estava perdido novamente no céu logo acima deles. E ela se perguntou se aquele beijo teria mesmo acabado de acontecer. Ele parecia tão calmo, como se nada tivesse se passado.

Sentiu-se inegavelmente confusa. Em geral, era ele quem ficava constrangido com situações como aquela. Mas naquele exato momento, ele parecia estar em perfeito controle de si mesmo e da situação.

Temperance sentiu o rosto queimar, e uma pequena onda de irritação começou a tomar conta de si. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, questioná-lo sobre o que acabava de acontecer, viu-o apontar entusiasmado para o céu.

"Veja, Bones" a voz dele deixava transparecer uma dose de empolgação.

Ela ergueu os olhos para o céu noturno, acompanhando a direção indicada por ele. E não pôde conter um suspiro de surpresa ao avistar o brilho inconfundível cortar a escuridão do céu.

"Uma estrela cadente" ele sussurrou, um sorriso brotando nos lábios. "Faça um pedido" Booth exclamou, olhando boquiaberto para o meteoro incandescente que atravessava o manto negro do céu.

"Booth, isso não passa de uma superstição" observou, voltando sua atenção para o meteoróide.

"Superstição ou não, faça um pedido" ele insistiu.

Ela o observou de soslaio.

"Vamos, Bones. Só uma vez, não seja racional" ele lançou-lhe um rápido olhar carregado do sorriso mais puro.

Sem resistir, Temperance sorriu também, e quando voltou a olhar para o céu, o meteoróide estava quase desaparecendo no horizonte. Fechando rapidamente os olhos, sentiu-se uma tola completa, mas ainda assim fez um pedido.

Quando tornou a abri-los, deu de cara com Booth, o rosto bem próximo ao seu, a expressão divertida. "E então? Fez um pedido?"

Ela tentou disfarçar o sorriso.

Ele, por sua vez, deu vazão a um sorriso que pareceu iluminar as feições simetricamente perfeitas. "O que pediu?"

"Acho que não se deve revelar o pedido" observou.

Ele a encarou, sério e surpreso ao mesmo tempo.

"Bem, foi você quem disse uma vez que quando se faz um desejo irracional nessas espécies de rituais supersticiosos não se deve revelar o que desejou até que se realize..."

Suas palavras desapareceram ao ver a expressão de puro divertimento no rosto dele.

"Pensei que não acreditasse nessas coisas, Bones."

"E não acredito. O que eu disse foram palavras suas, não minhas", ponderou.

"Vejo que você presta muita atenção às coisas que eu digo. Só não sei ainda se isso é bom ou ruim..." ele riu.

"Até hoje você não me disse nada que fosse realmente indigno de importância. Mesmo que eu não concorde com você em muitas coisas, eu respeito seu modo de vê-las e para mim é importante entender tudo o que você diz."

Ela estava sendo sincera. Mas pela expressão que o rosto dele adquiriu, podia dizer que Booth estava surpreso com o que acabava de dizer.

Pensou em explicar-se melhor, pois ele não parecia ter assimilado o que acabara de dizer. No entanto, quando seus lábios se abriram para escolher as melhores palavras, sentiu-o aproximar-se de forma tão rápida que só foi possível sentir o suspiro dele contra sua boca antes que ele tornasse a beijá-la.

Mais uma vez a sensação de calor se apoderou de seu corpo, e antes que percebesse, suas pálpebras estavam pesadas demais para seguirem abertas, suas mãos pousando de comum acordo no pescoço dele.

O beijo dessa vez foi mais suave... sem exigência. Apenas seus lábios se tocando, se reconhecendo no outro.

"Viu como não doeu nada, Bones?" ele deu um meio sorriso em sua direção ao se afastar. "Você fez um desejo, simples assim. Admita... um pouco de superstição não faz mal a ninguém. Nem a você."

"Tem razão" disse, recolhendo as mãos aos bolsos do sobretudo. "Um pouco de superstição às vezes não faz mal."

Seus olhos se perderam no céu estrelado, e um sorriso brotou nos cantos de seus lábios.

Talvez devesse abrir espaço para algumas pequenas superstições em sua vida. Afinal, coincidência ou não, seu desejo tinha se realizado. Seeley Booth havia lhe beijado... outra vez.
 

~ ~

* História sob proteção de registro no creativecommons.org *
 
Humor: apaixonada



Tags:
 
 
Current Location: Brazil,
Current Music: Like A Star, Corinne Bailey Rae
 
 
Lab Girl
11 June 2010 @ 01:16 pm


♥ http://www.youtube.com/watch?v=Y9rhcnZlMFc ♥
Fan video made by sdisco02

Quando a estrada escurece
E você já não consgue enxergar
Deixe o meu amor lançar uma luz
E
tenha um pouco de fé em mim

Quando as lágrimas que você derramar
Forem tudo em que você conseguir acreditar
Apenas dê a estes braços amorosos uma chace, meu bem
E
tenha um pouco de fé, em mim

Tenha um pouco de fé em mim
Tenha um pouco de fé em mim 
E tenha um pouco de fé em mim
Tenha um pouco de fé, fé em mim

Quando seu coração tão bem guardado
Não conseguir falar tão facilmente
Venha aqui, meu bem
De um sussurro, comece
A ter 
um pouco de fé em mim

E quando estiver contra a parede
Apenas vire-se e você, você verá
Eu apararei, eu apararei a sua queda
Apenas
tenha um pouco de fé, fé em mim

Tenha um pouco de fé em mim
Tenha um pouco de fé em mim 
Tenha um pouco de fé em mim
Tenha um pouco de fé, tenha fé em mim

Bem, eu tenho amado você
Por um longo, longo tempo
Esperando nada em troca
Apenas que você 
tenha um pouco de fé em mim

Veja, o tempo, o tempo é nosso amigo
Porque para nós não existe fim
Tudo o que você tem que fazer é
Ter um pouco de fé em mim

Eu vou manter você firme
Eu vou manter você firme
E seu amor me dá 
a força suficiente para
Ter um pouco de fé em mim
Oh, ei... ohh querida
Tenha um pouco de em mim

Ooo... ooo...
... 







Humor: romântica

Tags:
 
 
Lab Girl
09 June 2010 @ 03:03 pm



 

As Partes do Todo

Autora:
Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 5ª Temporada, romance
Advertências: Spoiler
Classificação: PG-13
Capítulos: 1 (one shot)
Status: Completa

Sumário: Final alternativo para o Episódio 05x16 (Episódio 100)

------------------

"Eu... eu não sou uma jogadora. Eu sou uma cientista. Eu não posso mudar!" a voz dela saiu numa exclamação impotente e exasperada.

Booth olhou-a nos olhos, vendo o brilho das lágrimas que ela estava segurando.

"Eu não sei como", ela prosseguiu, tentando fazê-lo entendê-la.

Booth permaneceu em silêncio, a encará-la.

"Eu não sei como," ela disse novamente, uma lágrima caindo por seu rosto.

Ela estava sendo sincera. E ele sabia. Ela estava sendo o mais sincera que podia, o mais sincera que sabia ser.

E ele a amava por isso. Justamente por ser quem – e como - ela era. Mesmo ali, naquele momento, quando ele havia aberto seu coração para ela, disposto a se entregar e enfrentar a tudo e a todos para dar a eles uma chance... ela pegava seu coração com as mãos e lhe devolvia, dizendo que não queria machucá-lo, que não sabia como fazer aquilo. Ela tinha medo. Ela estava completamente assustada naquele exato instante. E Booth sabia disso. Melhor do que ninguém.

Ele deu um passo à frente, com todo cuidado. Não queria assustá-la ainda mais nem fazê-la se afastar repentinamente com algum movimento brusco.

"Então me deixe ajudar", sua voz saiu num sussurro. Mas ele estava certo de que ela havia escutado. "Eu posso ajudar você nisso."

Ela o fitou, as lágrimas ainda brilhando no mar azul dos olhos dela.

"Eu não..." ela começou, tentou dizer alguma coisa, mas ele a interrompeu.

"Bones, eu também tenho medo" ele disse, sinceramente.

Os olhos dela então se expandiram um pouco, as sobrancelhas se erguendo ligeiramente enquanto ela o ouvia continuar.

"Isso também é novo para mim, Bones. O que nós temos… o que construímos até aqui é maior e melhor do que qualquer relação em que eu já estive. Não apenas... não apenas romanticamente falando", ele tentou explicar-se melhor, queria que ela entendesse cada palavra que estava dizendo, e a ansiedade o fez tropeçar um pouco, tentando escolher as palavras certas. "Eu também tenho medos, Bones. Eu também tenho incertezas... mas no meio disso tudo, existe uma única certeza que me faz acreditar em nós dois... que me faz querer arriscar e dar mais esse passo com você..."

Ela estreitou os olhos, e Booth pôde ver a ruga de preocupação instalar-se na testa de Brennan – exatamente como quando ela se deparava com alguma pista que tentava entender, decifrar.

Booth deu mais um passo à frente, cauteloso. Olhou bem dentro dos olhos dela, querendo que ela visse dentro de sua alma através deles.

"Eu te amo, Bones. E não importa o que você diga a respeito, eu olho dentro dos seus olhos e vejo o mesmo..." sua voz saía rouca e baixa.

Ele viu uma segunda lágrima escorrer pelo rosto delicado.

"Isto, para mim, é o suficiente para saber que nós podemos tentar. Que nós devemos, Bones..." Booth manteve a voz suave, na tentativa de acalmá-la, mesmo diante de suas mais íntimas revelações. "Eu não sei o que vai acontecer com nós dois daqui para frente. Eu não posso dizer como vai ser, como vai ficar nossa relação se dermos esse passo... mas eu sinto – eu sei – que nós merecemos uma chance."

Ela o observava, em silêncio. Mas ele sentia que suas palavras estavam chegando até ela... sendo absorvidas por aquela mente brilhante, que nunca cansava de trabalhar. E agora, tudo o que ele buscava, era atingir não apenas a mente, mas de alguma forma, o coração dela.

"Eu jamais ia querer arriscar o que temos por nada, se estivesse certo de que seria apenas um risco a mais, por diversão ou curiosidade, qualquer coisa passageira, eu jamais diria o que estou dizendo agora. Mas não é esse o caso. Nunca foi, e você sabe. O que nós temos é..."

"Perfeito", ela completou, séria. "Se existisse algo inquantificável que pudesse ser definido como perfeito, claro."

Ele sorriu. Aquela era sua Bones.

"É", fez um gesto de concordância com a cabeça, ainda sorrindo para ela, que, para sua surpresa, sorriu também. "Você também entende que a nossa relação é especial. Mas existe um ponto em que as coisas têm que mudar. E nem toda mudança é necessariamente ruim."

"Primeira lei de Newton" ela murmurou.

"O que?" Booth franziu a testa, repentinamente confuso.

"É a lei da inércia... um corpo tende a permanecer no estado em que se encontra até que uma força externa atue sobre ele, modificando seu estado."

Booth tentou não rir da associação que ela havia acabado de fazer. "Relacionamentos e leis da física. Realmente, tudo a ver" ele murmurou, tentando suavizar o clima entre os dois.

"Viu só? Foi o que eu disse, eu não posso mudar, Booth", ela ergueu as mãos, exasperada. "As pessoas são como são, e eu sou assim. Eu não consigo ser como você e simplesmente esquecer das leis e princípios que sempre regeram o meu mundo."

"É isso, Bones!" ele exclamou, chamando a atenção dela. "É isso. Suas leis e seus princípios. Foram o que protegeram você até aqui, e eu sei o quanto você os preza. Mas a sua lógica e a sua ciência não podem impedir você de sentir. Você é como eu ou como qualquer pessoa neste mundo, Bones... você sente. Você sente as coisas, e essas suas leis apenas impedem você de admitir isso."

"Elas me impedem de me iludir e me perder", Brennan alteou a voz, como se tentasse fazê-lo entender suas questões. "Foi a minha maneira lógica de viver que me trouxe até aqui. E foi a minha ciência que ajudou você a solucionar um grande número de casos."

"Eu sei", ele abaixou a voz. "Eu sei, Bones. E nunca neguei isso. O que eu quero dizer é que embora essas leis da lógica funcionem muito bem num laboratório ou ajudando numa investigação criminal, elas não podem reger toda a sua vida. Você é mais do que isso, Bones. Seu coração não é uma sala do Jeffersonian."

"Eu não sei o que você quer dizer com isso", ela franziu a testa, encarando-o, confusa.

"Você tem sentimentos, Bones. E não pode fugir deles a vida toda. Ou do contrário, na tentativa de se proteger de qualquer sofrimento, você pode acabar perdendo a chance de ser feliz. Genuinamente feliz."

Ela ficou em silêncio por algum tempo. Não disse nada, nem esboçou qualquer reação. Ele chegou mesmo a se perguntar se ela havia escutado suas últimas palavras. E de repente, um medo súbito apossou-se dele ao vê-la dar-lhe as costas. Pensando que ela iria deixá-lo para trás e ir embora, Booth deu dois passos na direção dela, mas parou quando a percebeu abaixar a cabeça e suspirar. Brennan continuava parada, sem fazer menção de ir embora. O coração de Booth desacelerou um pouco.

"Eu sempre fui sozinha, Booth" a voz dela saiu em tom baixo e triste. "Eu cresci sozinha, e aprendi que estamos todos sozinhos neste mundo. Meus pais foram embora. Meu irmão foi embora. As pessoas na minha vida sempre foram embora."

Ele sentiu a dor nas palavras dela. Quis aproximar-se e confortá-la, tomá-la nos braços e fazer aquela angústia ir embora. Mas conteve-se no lugar em que estava, apenas olhando-a de costas para ele, esperando-a continuar.

"Você é a relação mais longa que eu já tive, Booth", ela sussurrou. "E eu não posso imaginar o que aconteceria se não... se..." ela então virou-se para ele.

Booth manteve o olhar firme sobre o dela, esperando-a continuar.

"Eu não quero perder você também, Booth."

Seu coração se apertou diante da confissão dela. Ela havia acabado de se expor para ele como nunca antes. Booth sorriu, terno.

"Você nunca vai me perder, Bones", sussurrou.

"Você não pode prometer isso. Ninguém pode prometer esse tipo de coisa," ela tentou, mais uma vez, racionalizar; mas não conseguia esconder o brilho das lágrimas.

"Eu posso", ele a surpreendeu. "Eu posso prometer que independente do rumo que as coisas entre nós tomarem, eu sempre... sempre... vou estar aqui pra você."

Ele então estendeu a mão para ela. "Agora depende de você" disse, num murmúrio.

Brennan olhou para a mão dele, e em seguida para os olhos dele. Aqueles mesmos olhos que sempre haviam lhe dito a verdade. Que sempre a haviam feito sentir-se segura. Aqueles olhos cheios de calor e sinceridade.

E Bones pegou a mão dele, um pequeno sorriso involuntariamente expandindo-se em seu rosto.

Os dois então caminharam de comum acordo para longe da escadaria. Andando, lado a lado, de mãos dadas e em silêncio, foram seguindo até o carro no estacionamento. A noite estava linda, iluminada pelas luzes da cidade de Washington.

"Chinesa?" ele sugeriu.

"Tailandesa" ela sorriu, encostando a cabeça no ombro dele.

Enquanto continuavam o caminho, Booth admirou a iluminação do Capitólio logo adiante, perguntando-se se o sorriso em seu rosto poderia ser maior.



~ ~

* História sob proteção de registro no creativecommons.org *

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/

 

Tags:
 
 
Current Location: Brazil
 
 
Lab Girl
27 April 2010 @ 01:04 pm
"Nothing happens unless first a dream..."

                                     
Carl Sandburg



www.youtube.com/watch

Fan video made by lorbaby83
* SPOILERS do episódio 100 *

Tags: